terça-feira, 8 de agosto de 2017

A Tecer Teatro leva ao interior do Paraná o premiadíssimo monólogo, que discute o envelhecimento feminino.

Agora é a vez da cidade de Paranavaí receber o espetáculo


A peça O Olhar de Neuza, vencedora do prêmio paranaense “Troféu Gralha Azul” (2013), será encenada em cinco cidades paranaenses: Lapa, Castro, Paranavaí, Pato Branco e Francisco Beltrão.

A turnê, que terá início em agosto, foi viabilizada com incentivo da Copel e da Havan por meio do PROFICE  (Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura), da Secretaria Estadual de Cultura do Paraná.

Após cada apresentação, haverá um bate papo sobre o trabalho e o conteúdo abordado na peça. O projeto prevê também a realização de encontros com grupos teatrais de cada cidade para troca de experiências entre os profissionais da área e ainda oficinas voltadas para atores profissionais e amadores.

Paranavaí  será a terceira cidade do circuito. As apresentações serão nos dias 19/09, às 8h e às 10h e 20/09, às 20h, no Teatro Municipal Dr. Altino Afonso Costa
Endereço: Praça Rodrigo Ayres de Oliveira - Centro

OFICINA “Ser Ator- A Prática Criativa”dia 18/09 e 19/09 das 19h às 22h e dia 20/09 das 09 às 12h
Teatro Municipal Dr. Altino Afonso Costa

ENCONTRO COM OS FAZEDORES DE TEATRO LOCAIS dia 20 às 14h
Teatro Municipal Dr. Altino Afonso Costa

TODAS AS ATIVIDADES TEM ENTRADA GRATUITA.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Quer ser nosso parceiro?

Interessa apoiar esta iniciativa?

Temos projetos aprovados nas leis municipal, estadual e federal de Incentivo à Cultura. Seja nosso parceiro e incentive nossos projetos de produção e circulação de espetáculos teatrais.

O projeto de Circulação, por Curitiba e São Paulo, do espetáculo Teatral O OLHAR DE NEUZA, dirigido ao público de adultos. Este espetáculo foi o mais premiado pelo Troféu Gralha Azul - Prêmio Governador do Estado aos melhores profissionais e espetáculos de artes cênicas, angariando 05 troféus. Aprovado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Curitiba.

Para maiores informações entrar em contato com Fabiana Ferreira

tecerteatro@gmail.com

domingo, 21 de agosto de 2016

Neuza vai até o interior do Mato Grosso

Em maio de 2016 tivemos o privilégio de levar este espetáculo para o interior do Estado do Mato Grosso passando por duas cidades, Rondonópolis e Poconé. Está última uma cidade muito pequena e já na entrada do Pantanal Brasileiro. Também, através deste projeto realizado com o Incentivo do Ministério da Cultura, através da Lei Rouanet e da Petrobras, pudemos viabilizar a tradução de libras do texto do espetáculo e levarmos uma intérprete de libras conosco. Experiência riquíssima. Abaixo um relato de nossas conclusões: 

Levar um grupo de teatro a cidades do interior brasileiro, é levar esperança a um povo judiado, mas também um povo forte e inteligente, que resiste e luta diariamente para superar suas dificuldades. Um povo que mantém, a duras penas, suas manifestações culturais ameaçadas de desaparecerem do mapa brasileiro. Nestas cidades do interior urge o auxílio e incentivo para que jovens aprendizes sejam provocados a dar continuidade às importantes manifestações culturais, contribuindo para a construção e fortalecimento da identidade do povo.

A falta de incentivo para que os jovens Poconeanos possam vivenciar e valorizar sua própria cultura, somada a um sistema capitalista como o nosso, provocam nesse jovem o desejo de consumir cada vez mais, numa cidade onde não há o que consumir, e onde o jovem não consegue reconhecer-se como ser único, capaz e importante para a sua comunidade. Essa falta de sentido, de perspectiva oprimi o jovem, impedindo o desenvolvimento de suas possibilidades.  Esta é uma triste realidade de muitas cidades do interior do Brasil.

Tivemos o privilégio de realizar esta circulação através deste importante incentivo. Todas as ações do projeto puderam ser realizadas plenamente, com exceção da acessibilidade aos portadores de deficiência auditiva. Apesar de termos entrado em contato com a comunidade surda, tivemos a presença de pouquíssimos surdos. Em Rondonópolis, pudemos levar pessoalmente nossa interprete de libras até a associação dos surdos, ela pode conversar com o presidente da associação que garantiu a presença dele ao evento, mas, infelizmente, não compareceu.

Assim, percebemos a importância de continuarmos realizando projetos que incluam a acessibilidade da comunidade surda, uma vez que a mesma, está tão distante do teatro. Mesmo nosso projeto oferecendo gratuidade, transporte até o local das apresentações, não houve condições de participação. Tal situação gerou uma espécie de frustração em nossa equipe, mesmo ela tendo sido anteriormente advertida sobre esta dificuldade. Ainda assim, ressaltamos que levar uma interprete de libras em nossa equipe, acabou despertando em todos nós e também em algumas pessoas que cruzaram nossa caminhada, durante esta circulação, o desejo e a responsabilidade individual, para o contato e aprendizagem da língua de sinais, ajudando a mudar essa realidade. 

Para nós foi importantíssimo a viabilização, através deste projeto, da tradução do texto de nosso espetáculo para a língua de sinais e a inclusão da também atriz/interprete de libras, Chiris Gomes, em nossa equipe. A partir de então, queremos continuar trabalhando desta forma, levando o espetáculo de repertório O OLHAR DE NEUZA, acessível aos surdos, a outras cidades brasileiras. Este projeto despertou em nós o desejo de realizar novas parcerias com a comunidade surda de Curitiba, cidade sede de nossa companhia, para realização de novos projetos como a publicação de livro contendo a trajetória deste espetáculo e DVD com vídeo libras do texto teatral traduzido, a ser lançado em evento teatral que atenda a comunidade surda, contando ainda com palestras para tratar da importância desta inclusão social.

Aprendemos, a partir do contato com os surdos de nossa cidade, que eles não gostam de serem chamados de deficientes auditivos, uma vez que não tem nenhum tipo de retardo mental e muitas vezes são confundidos ou mesmo atendidos por entidades de deficientes físicos e mentais. Eles apenas “falam” outra língua. Assim, preferem ser chamados de surdos.

Estamos muito gratos por termos realizado este projeto que sobretudo, abre nossos olhas para a importância da inclusão social da comunidade surda e nos dá o privilégio de poder entrar em contato com está realidade o que  nos sensibiliza e também nos mobiliza a continuarmos.  


Confraternização com o público de estudantes em `Poconé - MT


Fabiana Ferreira e Chiris Gomes durante apresentação do espetáculo em Rondonópolis - MT


Em Rondonópolis casa cheia e público entusiasmado. Os debates após as apresentações forma riquíssimos.

sábado, 23 de abril de 2016




Abração Filmes Produtora de Artes, Ministério da Cultura e Petrobras levam premiadíssimo solo teatral à região centro oeste brasileira

A peça teatral O Olhar de Neuza, vencedora do prêmio paranaense “Troféu Gralha Azul” nas categorias de melhor espetáculo, melhor atriz, direção, texto e música, será encenada nas cidades de Rondonópolis e Poconé.

Esta iniciativa da Abração Filmes Produtora de Artes, de Curitiba/Paraná, foi viabilizada pelo Governo Federal e o Ministério da Cultura -  Lei Rouanet, contando com o patrocínio da Petrobras Distribuidora, através de projeto selecionado pelo Programa Petrobras Distribuidora de Cultura 2015/2016.

Após a realização de cada apresentação, o público será convidado a participar de um bate papo informal. Nesta oportunidade vamos aproveitar para refletir sobre as questões levantadas pelo espetáculo e os elementos que foram utilizados para a criação do mesmo.

Além das apresentações teatrais, este projeto prevê a realização de encontros com grupos teatrais locais para troca de experiências entre os fazedores de teatro. A ideia é proporcionar um importante espaço para reflexões sobre os temas que permeiam a realidade dos grupos e seus saberes.
Teremos ainda a realização de oficinas teatrais intituladas: Ser Ator – a prática criativa, dirigidas ao público de jovens e adultos. O objetivo principal é repassar o trabalho que vem sendo desenvolvido dentro da Abração Filmes, através de suas práticas diárias para o desenvolvimento do ator.
Todas as ações do projeto são gratuitas.

A novidade fica por conta do instrumento de acessibilidade: todas as sessões do espetáculo serão acompanhadas por um intérprete de libras, possibilitando a participação dos surdos interessados em assistir ao espetáculo.

Selando a parceria com o Sesc Mato Grosso e o Sesc Pantanal, as ações do projeto serão realizadas nas unidades do Sesc de ambas as cidades.

Inspirado na obra “A Mulher que Cai”, do escritor curitibano Guido Viaro, O Olhar de Neuza narra a história de uma mulher de meia-idade, na tentativa de escapar de seu cotidiano e rever sua vida, expondo os conflitos da mulher madura que atravessa a fase da menopausa. 

Serviço:

POCONÉ
1.     Espetáculo: 18 e 19 de maio às 20h e 20 de maio às 8:30 (agendamento escolar).
Duração: 60 minutos.
Classificação indicativa: Maiores de 16 anos.
2.     Encontro com os fazedores de teatro local: 20 de maio às 19h.
3.     Oficina Ser Ator – A Prática Criativa: 21 de maio das 8:30 às 11:30 e das 14h às 17h e   22 de maio das 8:30 às 11:30.
Local das atividades: Estância Ecológica SESC Pantanal – EESP - Salão Social do Centro de Atividades de Poconé CAP/SESC Pantanal - Rua Generoso Ponce, nº 37.
Ingressos: Todas as atividades são gratuitas

Informações:
Centro de Atividades de Poconé CAP/SESC Pantanal
Rua Generoso Ponce, nº 37
Telefone: (65) 3345 2571


RONDONÓPOLIS
1.     Espetáculo: Dia 25 de maio às 15h e 28 e 29 de maio às 20h.
Duração: 60 minutos.
Classificação indicativa: Maiores de 16 anos.
2.     Encontro com os fazedores de teatro local: 28 de maio às 14h.
3.     Oficina Ser Ator – A Prática Criativa: De 23 a 25 de maio das 18h às 21h.
Local das atividades: SESC Rondonópolis - Rua K Quadra 197- Bairro Sagrada Família - CEP da Rua: 78.700-000 (Em frente ao Residencial Nova Colina)
Ingressos: Todas as atividades são gratuitas.

Informações:
SESC Rondonópolis
Rua K Quadra 197- Bairro Sagrada Família - CEP da Rua: 78.700-000/ Rondonópolis-MT (Em frente ao Residencial Nova Colina).
Telefone: (66) 3411 1465

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Abração Filmes leva o espetáculo teatral O OLHAR DE NEUZA até a região Centro Oeste Brasileira


É com enorme satisfação que dividimos com vocês mais esta conquista da ABRAÇÃO FILMES PRODUTORA DE ARTES. Em maio de 2016, o espetáculo teatral O OLHAR DE NEUZA, fará uma circulação pela região Centro Oeste Brasileira, através de projeto aprovado num dos editais públicos mais importantes do Brasil, o PROGRAMA PETROBRAS DISTRIBUIDORA DE CULTURA. Além das apresentações teatrais, este projeto irá levar gratuitamente oficinas, debates como o público presente nas apresentações e também encontros com os fazedores de teatro locais. A grande novidade também será a tradução em libras do texto do espetáculo e quem sabe sua futura publicação. Todas as sessões serão acompanhadas por um intérprete de libras. Este trabalho de tradução e interpretação de libras, sem dúvida será um grande passo na trajetória deste espetáculo. 
 
 
 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O OLHAR DE NEUZA NO SESI

Curta temporada do espetáculo teatral O OLHAR DE NEUZA, no SESI São José dos Pinhais. Dias 22 e 23 de agosto, sábado às 20h e domingo às 19h.


terça-feira, 19 de maio de 2015

Estamos em Chapecó - SC participando do Festival Nacional de Teatro com o espetáculo O OLHAR DE NEUZA, selecionado entre vários, onde apenas 3 espetáculos de outros estados brasileiros foram escolhidos. Um teatro lindo com capacidade para 1.000 pessoas. A expectativa é de termos em torno de 600 pessoas por sessão. 

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

terça-feira, 11 de novembro de 2014



Nova temporada durante a CORRENTE CULTURAL. Dias 13 e 14 de novembro de 2014 às 20h, na CIA DO ABRAÇÃO, em Curitiba. GRATUITO!



Comentários de quem assistiu ao espetáculo

"Um espetáculo imperdível e Fabiana Ferreira vive intensamente a "Neuza" que habita em todas as mulheres, com muita sensibilidade e amor à arte de atuar".

 Kátia Drumond - atriz e cantora

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"Este é um dos espetáculos mais belos que já vi na vida. Cala fundo na Alma!"!

Milene Dias - atriz

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"Perfeito, tudo em sintonia".

Inês Drumond - Bailarina

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Fabiana,

Tive a chance de prestigiar o espetáculo de ontem, mas não a de te dar um abraço e um beijo devido à multidão que se instalou ao seu redor depois do breve bate-papo.

Gostaria de dizer que fico feliz por ter conhecido melhor acerca de seu trabalho e que a peça é muito sensível. Venho buscando de forma incansável referências nobres e de alto-teatro como esta, me surpreendi positivamente. E é até estranho que mesmo conhecendo algumas pessoas que passaram pelo Abração, tenha sido a primeira vez que fui ao espaço para conhecer. Sem dúvidas voltarei.

Ainda sobre o trabalho, é importante que pessoas como você promovam esta abertura para que estudantes possam dialogar abertamente a respeito dos temas que permeiam o mundo infinito do teatro. Sou grato!

Por agora, acho que é isso.

Grato, mais uma vez! Mil beijos e afetos.


Thiago Mique


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Espetáculo incrível! Fabiana Ferreira da uma aula de interpretação. Com uma gestualidade precisa, movimentos belíssimos, explora o texto, o cenário, o figurino. Simplesmente maravilhosa vivenciando uma mulher em conflitos tão contemporâneos. Amei! Parabéns a toda a equipe de criação e execução. O trabalho de luz do Anry Aider também esta lindíssimo.

Mariana Zanette - Atriz e Diretora Teatral

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A Memória de Neuza


Assisti o solo O Olhar de Neuza durante meu curso de Interpretação na Fap (Faculdade de Artes do Paraná). Uma importante atividade do meu Trabalho de Conclusão de Curso; tão importante que hoje venho resgatar pela memória¹ as trilhas que seguia na minha criação, enquanto participei como espectador de Fabiana Ferreira integra, integral, inteira em sua performance.
Muitas questões, como não poderia deixar de ser diante de um trabalho tão intenso, foram surgindo. Nessa verve também foram surgindo semelhanças e caminhos que eu tomaria e caminhos que eu não tomaria...
Olhos nos olhos, presença absoluta.

Visceralidade, Dioniso, giro.
Esbanjando, poderia ser mas não é exatamente esta palavra, esbanjar. Diante dessa palavra surgem mil questionamentos de como é “escapar do mero estar para adentrar em arte”. Não havia truques. O sentimento, a imagem, as imagens suscitadas pela performance de Fabiana, em busca da ativação dos sentidos. A luz, precisa, em harmonia com todos os elementos postos em cena: folhas secas, tecido acrobático associando a uma  cortina.
O que despertou muito a minha imaginação foi uma simulação de movimentos aéreos que Fabiana executa no solo. Os signos vão surgindo e perpassam, chegam, mostram e vão: a vida de Neuza em véus, flor, sangue, maternidade. As roupas-figurinos postas e sobrepostas, vestidas e despidas como se fossem cascas.
Fabiana instaura o estado de exaustão já no início de O Olhar de Neuza, em passos ritmados, cadenciando o giro em torno de si na parte da sala coberta de folhas secas.

Gira respira transpira
Folhas secas, oblitera o tempo
Do verão que já foi há tempos
O outono da vida postas cascas secas
Memória do que será imagina
Saber esperar Saber as coisas que o tempo me fez
Meio século para um pingo d’água é nada
Refresca Transcender sofrer a vivemorrer e vivenascer
Agora.
Já é passado. Não é possível falar em presente.
Gira respira transpira


Chamamento
Badalado três vezes o sino do ambiente perfumado pelo aroma de finos incensos da sala de espera, escuto a doce voz de Karla Izidro e a seguimos em cortejo adentrado pela porta principal, em cantos que conduzem e conduzem até a Sala Raul Cruz, na Cia do Abração, onde logo a ação se iniciará. Uma rosa, a mesma rosa, naquele mesmo lugar.
[Pergunto-me naquele mesmo momento, ali sentando, me acomodando, naquele clima idílico, pergunto-me “Como não lembrar da florista?”² Conforme a peça vai acontecendo a identificação fica maior. Na minha experiência, ali de espectador passo a agregar as lembranças de anos de amizade, o fato de estar ali no espaço da companhia que me abriu os braços quando eu ainda um ator iniciante, um alguém que andava de cá para lá em sua bicicleta, com seus passos indecisos entre tantos caminhos a tomar.
Mesmo em meio a minha indecisão, decidia (uma parte de mim pelo menos decidia) abraçar o teatro e desde que sou ator profissional pensava, naquele momento de concretização de um projeto de quatro anos que definem a conclusão da minha faculdade, na minha vitória e na gratidão à primeira companhia que me abriu os braços.
Estava eu então ali Presente naquela plateia, revivendo os flashes de memória desses oito anos de histórias, entre os amigos que fiz e as tantas vezes que me senti verdadeiramente feliz e, como a vida é assim, nas outras tantas realmente triste.
Ossos e regalos da vida, tudo isso em flashes. A Fabiana em cena e eu na plateia. Quantas vezes eu-aquele ator iniciante, estive no palco e a fabi me dirigindo e pegando no meu pé e corrigindo a coreografia. Eu sabia e sei de todo o seu rigor e isso foi um impulso ainda maior para mergulhar na sensibilidade de Neuza.

Memória, de novo
Neuza fala de memória, o seu olhar sobre sua humanidade e a vontade de gritar que emerge em tantas como ela. A vontade de todas essas outras neuzas de gritar através dos tempos. A memória disso é que a vida é plena para se realizar.
Libertas. Libertar-se do que acomodou, um renascer-se. Neuza feliz por ser quem é, sendo ela mesma, mas não a mesma sempre.
Tempos vem. Há que se aproveitar.
A memória.
E o pó das folhas em suspensão após um balé, movimentos em êxtase, gerando uma sensação de liquidez. Fabiana, um diapasão, uma sacerdotisa invocando os deuses do teatro entre a poeira suspensa iluminada por Anri Aider e sua luz genial que soube valorizar este e outros momentos.
Momentos, transições, chamadas. A voz de karla acompanhada pela música em playback (vontade que fosse ao vivo) conduz a linha sensível e possibilitam o tempo para divagar.
Ao descobrir o que fazer (ou pelo menos ter pistas, provocações) começo a imaginar quais os mecanismos que a equipe criadora utilizou para a criação solitária para sanar a dúvida:
“Como encenar de Si?” ³
Quem é o ator ali: persona? Atriz? Ator? Ninguém? Uma projeção? Uma transferência?

Com quem criar, ali, sozinho?

João Graf – Ator e Agente Cultural

¹ ah, como é doce ter memória! Mas muito doce também foi eu ter um diário que registrei para me auxiliar no resgate dessas impressões.
² aí já entendi! Aqui ou lá, já é memória! Eu estando lá ou estando aqui estamos h(a) um átimo do que passou}
³ Si, como não lembrar do Sildinei do Trenzinho do Caipira, a nota “si” da brincadeira entre escala musical e personagens que tenho orgulho de ter como parte da minha memória um momento meu 

sábado, 1 de novembro de 2014

Para quem ainda não pode assistir ao premiadíssimo espetáculo O OLHAR DE NEUZA, surge nova oportunidade. Apenas duas apresentações: DIAS 05 4 06 DE NOVEMBRO DE 2014, ÀS 20 HORAS, NO TEATRO SESC DA ESQUINA em Curitiba.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O Olhar de Neuza no FILO - Festival Internacional de Londrina

O Espetáculo "O Olhar de Neuza", mais premiado no Troféu Gralha Azul de 2013, fez sua primeira viagem!
A primeira parada da "Neuza" foi o FILO - Festival Internacional de Londrina. Tivemos casa cheia durante as apresentações onde o público, entusiasmado, aplaudiu de pé.

Dias 29 e 30 de Agosto, às 21h no Usina Cultural.
Os ingressos poderão ser comprados no site http://filo.art.br/2014/08/06/ingressos/

Para maiores informações acesse o site do FILO!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

"Olhar de Neuza" no Festival de Teatro de Curitiba


Foto: Chico Nogueira

"O Olhar de Neuza", espetáculo da Cia. do Abração que recebeu em 2013 cinco troféus no prêmio Gralha Azul (Melhor Espetáculo, Melhor Atriz - Fabiana Ferreira, Melhor Direção e Texto Original - Letícia Guimarães e Melhor Composição Musical - Karla Izidro), estará no Festival de Curitiba 2014!

Confira a programação:
29 de Março às 21h
30 de Março às 21h
31 de Março às 16h
e 01 de Abril às 21h

Local:
Cia. do Abração - Rua Ildefonso Assumpção, 725. Jardim Social - Curitiba/PR
Sala Raul Cruz

Ingressos:
Inteira R$ 30,00
Meia-Entrada R$ 15,00
-
MIS - Mostra Internacional de Solos. 
Serão 17 apresentações, de 5 solos teatrais, sendo duas atrações internacionais, previstas para acontecerem em duas salas, em sessões que acontecerão às 16:00, 19:30 e 21:00h.
Em breve, novas informações.

Passaporte MIS: para compra de todos os espetáculos da Mostra (incluindo "O Olhar de Neuza"), desconto de 1 ingresso:
5 ESPETÁCULOS INTEIRA R$ 120,00
5  ESPETÁCULOS MEIA R$ 60,00


* Maiores informações:
Cia. do Abração - Tel. (41) 3362-9438 / (41) 3362-9595
abracao@ciadoabracao.com.br / www.ciadoabracao.com.br


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Reticente


...não sei muito bem o que escrever sobre o processo de “O Olhar de Neuza”, mas estou aqui me forçando a isso, e seja lá o Deus quiser. Por isso já aviso que talvez esse seja um texto confuso, que reflete o seu autor, eu.
Quando ouço que sou um “ator-criador” isso me dá um comichão na alma, fico pensando se realmente sou um ator-criador... tenho tão poucas ideias, tão poucos desejos... ops, aqui está o meu primeiro ponto em comum (ou seria incomum?) com a Neuza. Neuza é a mulher que tem muitos desejos, muitas ideias, mas que não sabe o que fazer com elas. Eu talvez seja o contrário, não tenho muitos desejos e sei o que fazer com eles: NADA. O processo de “O Olhar de Neuza” me trouxe uma acomodação, por não estar na berlinda como ator. Isso é muito confortável, creio eu, para todo mundo. Não ser o foco do trabalho, ficar no escuro, longe dos holofotes... ops, como um ator pode se achar confortável longe dos holofotes? Acho que sou contradição pura, outro ponto em comum com Neuza. Será que eu sou Neuza? Acho que sim. Não, eu sou o Simão, a Neuza é a personagem. É, apesar de tratar sobre um tema específico de mulher de meia idade, me identifico muito com ela.
Gostei de ficar do outro lado, na plateia, durante esse processo, já que desde que estou na Cia. do Abração participei de quase todos os processos de criação dos seus espetáculos como ator. Assistente de direção? Será? Me coloquei nessa função e a princípio achei muito intrigante, talvez simplesmente por estar fora do foco de atenção, fora do “paredão”. Mas acho que não soube executar a função muito bem. Sempre podemos dar muito mais do que damos. Sou preguiçoso, me desinteresso muito fácil pelas coisas... peraí, isso aqui não era pra ser uma terapia. Não mesmo. Era pra ser um texto científico. Mas como falar da Neuza, uma mulher rodeada de conflitos, sem pensar nos meus próprios conflitos? Não sei. Mas vou tentar ser mais científico...
Minha função dentro do espetáculo, de assistente de direção, me trouxe alguns questionamentos importantes. O primeiro deles foi: O que faz um assistente de direção? Por algumas vezes me senti na função de “colocador de lenha na fogueira”. Gosto dessa função. Gosto de questionar, de “cutucar a onça com vara curta”. Tentei por em prática esse ateador de fogo, mas muitas vezes desisti. Acho que por me deparar em conflito com a Onça, a atriz que encarna a Neuza: Fabiana Ferreira (mais uma vez meus conflitos pessoais). Pois é. Meu conflito com a Fabiana às vezes parecia o conflito da Neuza com seu marido. Ou melhor, meu conflito com qualquer integrante da Cia. do Abração parece um conflito conjugal. Aquele amor tão grande que se desgasta com o tempo e cria algumas rachaduras, sendo necessário o tempo todo passar uma massa corrida. Não apenas para ficar bonita, mas para não crescerem as rachaduras e desmoronar a relação. E foi assim com todos do grupo durante o processo. Mas é assim sempre, acredito ser impossível separar o tal do “lado pessoal” do trabalho no Teatro, afinal, é uma arte que questiona muito o “ser humano”. Mas é difícil, e foi difícil.
Pensando bem, agora acho que o processo de “O Olhar de Neuza” não me trouxe uma acomodação não. Fez eu me questionar muito sobre minha vida, como a Neuza, e isso me deixou mal, com aquela tal “angústia no peito que sobe até a garganta e forma um nó apertado”. “Pensei até em desisti de tudo”, “jogar tudo pro alto e viver no meio do mato”. Procurei até um terapeuta. Viver em grupo dói. Fazer Teatro de Grupo é uma experiência que cutuca, alfineta o coração, a alma. Viver em grupo, grupo de verdade, me faz pensar tudo isso. Daí me pergunto: porque continuo fazendo? Será que apenas pelo motivo de ver que o espetáculo ficou lindo, tocante, um “tiro certeiro”? Fazendo mais analogias com o espetáculo: “muita gente consegue viver bem melhor sem querer achar um caminho, nem sequer suspeitar que seja necessário achá-lo”. Pois é. Pensar me traz os mesmos sentimentos que a Neuza sente. Que estranho. E o que será que faço com isso? Não sei, talvez não haja resposta pra todos esses questionamentos. E ir apenas caminhado...
Mas, continuando... e fazendo uma autocrítica: eu poderia ter exercido melhor a minha função de assistente de direção. E agora me defendendo da minha autocrítica: eu acho que fui até onde eu poderia ter ido. Às vezes o racional exige coisas que o emocional não deixa cumprir, e essa é mais uma contradição em mim. E talvez tenha sido bom, pois o resultado do espetáculo ficou muito bom. Não digo que ficou bom apenas por acreditar no nosso “filho”, mas por ver muito a reação da maioria do público. O trabalho agradou muita gente, e fez muita gente sair pensando sobre a sua própria vida. Neuza “mexeu” com as pessoas. Mas fico desconfiado com toda essa “bondade” do espetáculo. Quando tudo está muito bom eu desconfio. Será que isso pode trazer uma acomodação para o grupo, e faça com que o trabalho enfraqueça? Será que achar o espetáculo muito bom não é uma armadilha contra nós mesmo? Fico receoso, mas espero que as respostas sejam “não”.

Sou muito reticente. E a Neuza me deixa mais reticente ainda. Não sei se por medo de errar, ou de falar bobagens que eu me arrependa depois. Mas assim como eu, o espetáculo também é reticente. A conclusão da Neuza de todos seus questionamentos é continuar andando, indo pra frente. E o que fica mais forte em mim, e nela também, são as imagens bobas e sem muitos significados aparentes, como o saco plástico que voa com o vento... a rosa vermelha que me conta mentiras encantadas... as folhas secas que se despregam do tecido vermelho... uma vela que se apaga... uma escuridão... um silenciar... 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Olhar Através das Janelas de Neuza

Assim me senti nesse processo, uma menina, que observa atrás de uma janela bonita com cortinas vermelhas e babados delicados.

Eu acho que é a janela da sala... não, será do quarto?  Mas quanta intimidade, só pode ser a do banheiro. A voz de dentro diz,  “Não bobinha, é a janela da alma.”

“Menina sai dai...é feio ficar olhando”.

Mas a janela está aberta.  “Então feche agora”.  Não posso. Ela é tão mulher e eu tão menina.

Quero entrar no seu mundo. Conhecer mais sobre ela. Seu Olhar é tão meu.
Será que posso falar com ela? Com elas? Tenho tantas duvidas....

Será que você  pode me  ensinar a ser mulher? Quero saber... Como se sente com o amor? Como se nutre o coração? Como se conecta com Deus? Quero saber... Como entender a solidão? Como me entrego ao amor? Como chego no meu interior?  Como florescer? Como caminhar? Como paro de chorar?

Queria contar tantas coisas...
Sabe que tenho um pequeno bote?  Mas não sei navegar... O mar é grande e eu acho que não sei nadar, tenho medo das ondas gigantes e das  tempestades  que possam vir.  Me ensina a ser mulher? Quer ser minha amiga? Vamos navegar? 

Na minha ingenuidade achei que ela, por ser mulher, por ser madura, não teria tantas duvidas como as minhas, achava que de alguma forma quando chegasse lá, na maturidade, já saberia o caminho, já teria as respostas para as minhas inquietações, não teria duvidas. Mera ilusão.
Assim com meus 22 anos, olhar ainda de menina querendo ser mulher  iniciei minha viajem. Elas me permitiram navegar, navegar daquela janela bonita, com cortinas vermelhas e babados delicados.

Sai da poesia...

Logo de inicio, recebi uma importante função no processo de construção do espetáculo ‘’ O Olhar de Neuza’’. A  assistente do assistente de direção.  Não tão importante para o trabalho, mas muito mais importante para mim. Nesse processo estive como aprendiz, olhar, observar e simplesmente estar presente e tentar aprender um pouco com a maestria de toda a equipe. Muito mais aprendi do que contribui.  

Iniciamos o processo com algumas reuniões e discussões sobre a mulher de meia idade. Uma idade que de inicio parecia tão distante de mim.

Que mulher é essa? quem é a Neuza? Quem é Fabiana? Quem é essa mulher que cai? 
 “ uma grande solidão eu sou, sou a mulher que dividiu em sílabas a palavra solidão e com elas aprofundou seu caminho na escuridão”. A  Mulher que  Cai  de Guido Viaro.

A MULHER CAI!

Nas mãos do abração. E num misto de Fabianas, neuzas, karlas, roses, leticias e mulheres que caem, já caíram ou permanecem em uma constante queda fomos encontrando a Neuza e junto com a Neuza encontrando a Fabiana, que desabrochou em si uma linda rosa vermelha.  

Volta à poesia

Lá estava eu, observando atrás da janela bonita com cortinas vermelhas e babados delicados.

A observava , com  olhar tão triste e solitário, ela olha além das gotas de chuva  escorridas pela janela.  Seria isso a solidão? E eu sem querer sinto pena como uma dor no corpo e um aperto angustiante. Será minha a solidão?

"Nada" ela me diz em meio à escuridão.  “Eu não tenho nada”.

Nada? (Soou como um sino dentro de mim)

Mergulho no  vazio.

Quer entrar no meu vazio?

No meu?

Sai da poesia

Passamos nossa vida tentando preenchê-lo. Botox, plásticas, peitos, remédios, futilidades, parecer ser o que não somos, impressionar o outro, posses, mentiras...
O vazio fica tão cheio que não sobre nem nós mesmos.  O essencial.
Mesmo estando carregados e entulhados de coisas, não temos nada. 
De alguma maneira a Neuza veio reencontrar esse vazio dentro de mim.
Ele tem se apresentado de maneiras distintas em cada processo que me entrego.
        
No Trenzinho do Caipira  ele surge representado pelo meu vagão.  No Banho ela retorna como meu  almocharifadinho,  e no Olhar de  Neuza se apresenta como meu conjunto Vazio o nada.
         
Acho que é minha eterna busca, retornar ao conjunto vazio. Hora preenchê-lo, ora esvazia-lo, mas sempre retornar a ele.  

O OLHAR 
Alguém me disse que os olhos são o espelho da alma, o nosso olhar deve ser o reflexo da nossa alma sendo transmitido através dos nossos olhos, ou é a nossa própria alma.
       
Quero eu ter esse olhar que reflete a minha alma e transborda o meu eu, quero eu ter esse olhar que  transmite vida, quero eu ter esse olhar que adocica o mundo, quero eu ter esse olhar que vê, escuta e sente. Qual seria o meu olhar?  Um pouco cego e adormecido? Talvez.
Inspiramos o nosso espetáculo em um Olhar, no Olhar da Neusa, que olha o mundo com poesia.
Obrigada por esse Olhar.           
Volta à poesia
Ela volta para perto da janela, me conta sobre suas angustias e os primeiro calorões. Verão de 2012. A Menopausa.  

Calma Neuza, não há o que temer. É uma transformação natural, como o verão que segue a primavera e o fruto que surge a partir da flor, que desabrocha, seca, morre e renasce. 
Sai da poesia

por que esses  padrões inúteis? Que fazem da mulher um objeto modelável que deve servir para reproduzir algo e quando não podem mais produzir são jogadas fora. Por que esses padrões inúteis? Beleza, imagem, sexo,sexo. Um dia o sexo acaba! Faço parte disso? Desse padrão medíocre? Não, não quero. Neuza vem me nutrir com seu olhar.
Volta à poesia
Ela quer sair, ter um encontro com ela mesma.
"Tentei fugir de mim, mas aonde eu ia eu estava".. Ela tinha decidido parar de fugir e se encontrar de verdade. Quando eu vou fazer isso? Agora? ou no eterno amanha...

Gostaria de compartilhar uma musica, que para mim traz um pouco do processo da Neuza e da Fabiana e talvez ou pouquinho do meu.
“Hoje eu vou mudar
Vasculhar minhas gavetas
Jogar fora sentimentos
E ressentimentos tolos.
Fazer limpeza no armário
Retirar traças e teias
E angústias da minha mente
Parar de sofrer
Por coisas tão pequeninas
Deixar de ser menina
Pra ser mulher!
Hoje eu vou mudar
Por na balança a coragem
Me entregar no que acredito
Pra ser o que sou sem medo.
Dançar e cantar por hábito
E não ter cantos escuros
Pra guardar os meus segredos
Parar de dizer:
"Não tenho tempo pra vida
Que grita dentro de mim
Me libertar!"
Hoje eu vou mudar
Sair de dentro de mim
E não usar somente o coração
Parar de cobrar os fracassos
Soltar os laços
E prender as amarras da razão!
Voar livre
Com todos os meus defeitos
Pra que eu possa libertar
Os meus direitos
E não cobrar dessa vida
Nem rumos e nem decisões!
Hoje eu preciso
e vou mudar
Dividir no tempo
E somar no vento
Todas as coisas
Que um dia sonhei
conquistar,
Porque sou mulher
Como qualquer uma
Com dúvidas e soluções
Com erros e acertos
Amor e desamor.
Suave como a gaivota
E ferina como a leoa
Tranqüila e pacificadora
Mas ao mesmo tempo
Irreverente e revolucionária!
Feliz e infeliz
Realista e sonhadora
Submissa por condição
Mas independente por opinião,
Porque sou mulher
Com todas as incoerências
Que fazem de nós
Um forte sexo fraco!
Hoje eu vou mudar
Vasculhar minhas gavetas
Jogar fora sentimentos
E ressentimentos tolos.
Fazer limpeza no armário
Retirar traças e teias
E angústias da minha mente
Parar de sofrer
Por coisas tão pequeninas
Deixar de ser menina
Pra ser mulher!
Eu vou mudar!
Eu vou mudar!


Eu vou mudar pra valer” . Vanusa.

Uma Semente (querendo ser flor)

Uma semente no abração eu sou. Sinto cada trabalho como  adubo e água que me fazem crescer, brotar e desabrochar, mas sinto também que preciso fazer essa semente crescer.   Sair da posição de menina e me tornar mulher. Recebo ferramentas de cada um, que podem me modificar pra melhor, uma melhor atriz , uma melhor professora , uma melhor produtora e um ser humano melhor. Mas sei que nem sempre utilizo essas ferramentas. Bom, acho que é hora de começar a usar. Sei que depende só de mim. Sei também  que falar é fácil difícil é fazer, mas quem sabe falando serve de estimulo para eu  fazer, praticar e estar mais pronta para utilizar as ferramentas no nosso dia-dia.
O Ritual

Esquentar a água para o chá, acender um incenso, esborrifar essência pelo abração, pingar as gotas de chuva no vidro, colocar a trilha sonora, receber o público.

Acende a vela,  Soam os sinos, ela traz com sigo aquela linda rosa vermelha. O ritual inicia com a voz doce daquele anjo, será ela sua alma? Ela fica ao seu lado o tempo todo, a observando, trazendo alento para ela e para mim, como sua guia ou guardiã.  Abrem-se as cortinas e a porta de vidro com algumas lagrimas escorridas, ela se afasta, silencia, mas permite a nossa entrada em seu interior.  Me mostra suas dores, me mostra as minhas,  me mostra seus conflitos, me mostra os meus, suas ilusões e as minhas, suas fraquezas e as minhas sua solidão e a minha. Seu vazio e o meu.  Me mostra que está perdida, mas afinal, quem não está?  

Neuza, Uma Velha Amiga.
Observei por de trás daquela  janela bonita com cortinas vermelhar e babados delicados.  Assim pude conhecer a Neuza. Acho que conhecendo a Neuza, pude conhecer um pouco mais de mim, dessa menina com anseio de ser mulher. Neuza para mim, é uma amiga, mulher, que nos momentos de solidão sei que  posso  abrir sua cortina vermelha com babados delicados e simplesmente estar com ela, com elas. Perceber a sua solidão que também é minha.
Não estou só, não estamos só.
Minha busca com o olhar de Neuza.... Desabrochar em mim, aquela linda rosa vermelha que desabrochou a Neuza.
Deixo aqui, minha gratidão a Neuza. A Neuza Leticia, a Neuza Fabiana, a Neuza Karla, a Neuza Simao, a Neuza Blas, a Neuza Joao, a Neuza Julia, a Neuza Anry  e a Neuza Rose.